Obras inacabadas: IML de Salgueiro vira um grande elefante branco

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Salgueiro, a 500 km do Recife, berço do Sertão Central, estação segunda da minha peregrinação em busca de obras inacabadas, também tem um elefante branco fenomenal: a sede do Instituto de Medicina Legal (IML). Iniciativa do Governo do Estado, a obra está parada desde 2014, tendo sido iniciada e prometida pelo ex-governador Eduardo Campos.

Município importante economicamente, a sua geografia o favorece bastante: tem confluência com dois Estados importantes do Nordeste, o Ceará e o Piauí. Por aqui, passam milhares de automóveis por dia, a maioria caminhões transportando mercadorias num vai e vem de São Paulo para Pernambuco e outros centros da região, especialmente o Ceará.

Mesmo assim, os corpos das vítimas da violência, histórica e crescente na região, são levados para perícia em Petrolina, a 250 km. “As famílias ficam privadas de velar o corpo de seus queridos, vítimas de acidente de trânsito ou da violência”, diz o advogado Alvinho Patriota, que tem um blog bem acessado na região e que vive cobrando do Governo a conclusão do projeto.

“Procedimentos que poderiam ser feitos aqui, são feitos a 250 km. Além do desespero das pessoas nessa hora triste de partida, elas têm que arcar com as despesas do traslado”, acrescenta. Os próprios políticos da base do governador Paulo Câmara, vez por outra, dão um puxão de orelha no Governo.

Para o deputado Clodoaldo Magalhães, o IML em Salgueiro é de fundamental importância, porque beneficia não apenas a cidade, centro principal do Sertão Central, mas diversos municípios da região como Cabrobó, Cedro, Parnamirim, Verdejante, Mirandiba, São José do Belmonte, Serrita e Terra Nova.

“A pessoa que perde um parente precisa fazer todo um percurso de 250 km até Petrolina, aguardar a necrópsia e voltar ao local de origem para fazer o sepultamento”, relata, por sua vez, o deputado Joel da Harpa (PP), também da base governista, que já levou o assunto para debate numa sessão da Assembleia Legislativa diante da falta de compromisso com a região e sua gente sofrida.

Localizado numa área de expansão da cidade, ao lado da Universidade de Pernambuco (UPE), num terreno doado pela Prefeitura, o Instituto de Medicina Legal de Salgueiro teve suas obras iniciadas em 2014, mas suspensas um ano após. De 2015 para cá, nem um tijolo a mais foi colocado. “Esta semana mataram uma pessoa em Mirandiba, o corpo ficou no carro do IML, porque era um domingo e só foi levado para Petrolina 24 horas depois”, diz Alvinho.

Ele diz que a população dos municípios distantes que dependem do IML de Petrolina tem comprado muito sal para salgar os corpos que ficam dentro dos carros do IML muitas vezes por mais de 48 horas. Na semana passada, o governador Paulo Câmara voltou a prometer a retomada das obras do projeto, mas ninguém na cidade acredita que sairá do papel. “O povo cansou de promessas”, diz o estudante José da Silva Moraes, indignado com a situação.

A promessa do governador foi feita ao prefeito de Salgueiro, Marcones Libório, aliado do PSB. Na presença do prefeito, assinou um termo de cooperação com o Governo Municipal, assegurando que o equipamento de necropsias vai andar. “Por várias vezes o governador veio ao município e prometeu finalizar a construção do prédio. A mais recente foi em 2019, conforme noticiei no meu blog”, disse Alvinho.

Na época, segundo ele, a promessa se deu durante entrevista à rádio Salgueiro FM, de propriedade do deputado federal Gonzaga Patriota, irmão de Alvinho. “Ele alegou que o governo precisava fazer um novo projeto do IML e prometeu retomar a obra até o final daquele ano. Isso não aconteceu. Um ano antes, durante a campanha de renovação do mandato em 2018, ele também asseverou que iria terminar o projeto até o final daquele ano. Até o momento não cumpriu, mas a população espera que dessa vez o IML entre em funcionamento em breve”, acrescentou Alvinho.

Fonte – Blog do Magno 

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