Solenidade de colação de grau de Wellington Gomes ocorreu no dia 13 de dezembro. Antes, em novembro, ele pegou o registro do Conselho Regional de Medicina.
O pai de Wellington, Arnaldo José Alves, de 46 anos, criou os filhos com o salário de cortador de cana. Diariamente, pega um ônibus às 5h para chegar, uma hora depois, ao local de trabalho, onde fica até 12h. A distância é de 12 quilômetros.
Foi cortando cana com o pai que Welington juntou o dinheiro para se inscrever no vestibular. Maior incentivador do filho, Arnaldo cortou o pé enquanto trabalhava e, por isso, não conseguiu presenciar a colação de grau do médico da família, mas não vai perder o baile de formatura, em 21 de janeiro de 2022.
“Ele tinha ido trabalhar de manhã, cortou o pé e não conseguiu ir [para a colação]. Mas vai para o baile. Vou buscar ele de todo jeito para ir para o baile”, disse Wellington.
Os primeiros dias como médico formado, para Wellington, foram recompensadores. Ele ganhou até jaca de um paciente, em agradecimento ao tratamento. “É emocionante. Eu não sei nem descrever direito, mas é muito bom. A sensação de dever cumprido. De realização e de gratidão, acima de tudo”, afirmou.
Nos próximos anos, o ex-cortador de cana pretende se tornar um cardiologista ou cirurgião plástico. “Estou na dúvida se faço residência em cirurgia plástica ou cardiologia. São duas áreas distintas e que eu gosto bastante. Quero trabalhar esse ano de 2022 para ajudar a família e, a partir do próximo ano, seguir a residência”, contou.

