O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) descobriu, a partir da análise de três de 12 celulares apreendidos, que o delegado da Polícia Civil Maurício Demétrio Afonso Alves, preso desde junho na Operação Carta de Corso, levava uma vida de luxo, não compatível com sua renda.
O delegado é suspeito de tentar armar duas operações falsas, uma delas contra o então candidato a prefeito do Rio Eduardo Paes.
Por meio da quebra do sigilo telefônico, foram descobertas também viagens internacionais que eram feitas com toda a família em classe executiva e pagas em espécie.
De acordo com os promotores, o policial ostentava riqueza, e usava serviços de seguranças particulares para protegê-lo durante viagens e contratou detetives para investigar a vida de sua amante, em Miami, nos Estados Unidos.
Segundo os promotores, em uma das viagens para fora do país, Demétrio contratou três detetives para vigiar e investigar, durante oito dias, uma amante no estado da Flórida, EUA. No contrato, consta o pagamento de US$ 9.900 (em conversão, R$ 56 mil) para que a mulher fosse monitorada 24 horas por dia.
O trato foi feito com a empresa Salazar Investigations em dezembro de 2019 e a mulher, investigada entre 3 e 8 de dezembro do mesmo ano.
Uma outra viagem do delegado também chamou atenção. Nela, Demétrio foi à capital paulista e pagou R$ 35 mil entre 10 e 14 de dezembro de 2020. Durante a perícia dos aparelhos, os investigadores constataram que o policial teria gasto com carro blindado e seguranças.