
Houldine Nascimento, da equipe do blog
Ao lançar de forma precoce o ex-ministro Fernando Haddad para a disputa à Presidência, o Partido dos Trabalhadores demonstra claramente estar desconectado do momento político brasileiro. Ao mesmo tempo, passa recibo de que não aprendeu nada com as derrotas sofridas nas últimas eleições.
Segundo o próprio Haddad, o pedido para que ele concorra ao pleito em 2022 partiu do ex-presidente Lula. Assim que a informação repercutiu, nomes da esquerda reagiram com críticas. Foi o caso de Guilherme Boulos (PSOL). “Defendo que a esquerda busque unidade pra enfrentar Bolsonaro. Para isso, antes de lançar nomes, devemos discutir projeto”, afirmou.
A unidade pregada por Boulos, que foi bastante solidário a Lula antes e durante a prisão, não parece ser interesse do PT. Prova disso é que o psolista, ao disputar a Prefeitura de São Paulo no ano passado, não contou com o apoio dos petistas no primeiro turno. A sigla preferiu lançar uma candidatura fadada ao fracasso, o que se comprovou nas urnas: Jilmar Tatto (PT) terminou em sexto, atrás até mesmo de Arthur Mamãe Falei (Patriota).
Assim, mostra que não aprendeu nada com a experiência mal-sucedida em São Paulo. Além disso, o PT não emplacou um prefeito sequer em capital, fato que não ocorria desde 1985.
O recado dos eleitores não foi compreendido pela cúpula petista, mais preocupada com contendas internas, como na trapalhada cometida no pleito para a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, perdendo a vaga na cobiçada Primeira Secretaria, e no consequente embate público entre Gleisi Hoffmann e Marília Arraes.
Também não é segredo que Lula ainda vislumbra disputar 2022. Para isso, recorre a truque inverso ao utilizado em 2018, quando se dizia candidato, embora soubesse estar inelegível. Haddad foi o nome apresentado pelo PT no limite do prazo legal e batido por Jair Bolsonaro no segundo turno.
Agora, o ex-ministro é o pré-candidato, “guardando” o lugar do próprio Lula, o adversário dos sonhos de Bolsonaro
