Miguel ou Raquel?

Por Magno Martins

Presidente nacional do União Brasil, o deputado federal Luciano Bivar dá como certa a formação da federação partidária envolvendo o seu partido com o MDB e o PSDB, três grandes representações no Congresso, tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. Se andar, conforme o otimismo de Bivar, sai dessa união um candidato ao Planalto, que pode ser a senadora Simone Tebet, do MDB.

Pode ser, também, o governador de São Paulo, João Doria, da legenda tucana. Sendo Tebet, caberia ao União Brasil a indicação do candidato a vice, provavelmente Luciano Bivar. Uma federação e tanto, levando-se em conta o tamanho dos partidos no Congresso. Só o União, resultado da fusão do PSL ao DEM, tem 81 deputados, o maior fundo eleitoral de todos os partidos, assim como o maior tempo de televisão na propaganda eleitoral.

Essa federação, entretanto, tende a trazer consequências imprevisíveis nos Estados. Charles Chaplin dizia que a vida é um assunto local. Não existe partido forte nacionalmente com representações frágeis nos Estados. A vida se resolve nas províncias de um País de gigantescas proporções territoriais como o Brasil. No caso de Pernambuco, por exemplo, dos três partidos, dois têm pré-candidatos a governador.

E já estão em campanha há muito tempo: Miguel Coelho (União Brasil) e Raquel Lyra (PSDB), ambos prefeitos reeleitos de Petrolina e Caruaru, respectivamente. A federação é verticalizada, ou seja, os Estados têm que acompanhar o modelo fechado em Brasília. Neste caso, só cabe um candidato a governador fruto dessa conjugação de forças entre União Brasil, MDB e PSDB.

Quem abriria? Equação complicada. Raquel e Miguel já estiveram reunidos em várias tentativas de entendimento para se buscar um candidato consensual das oposições ao Palácio das Princesas. A última rodada de negociações tem pouco mais de 15 dias, sem avançar em absolutamente nada. Raquel e Miguel já avançaram tanto que parece impossível o recuo a esta altura do jogo.

Mas sem entendimento, não há reprodução da federação nos Estados e Pernambuco não é uma ilha nem tem autonomia para construir uma candidatura dentro da federação sem escolher um dos dois.

Consultas nas bases – O presidente nacional do União Brasil, Luciano Bivar, garante que as conversas com o MDB e o PSDB para formar uma possível federação partidária estão bem adiantadas. “Já está bem avançado. O MDB e o PSDB estão consultando suas bases, assim como o União Brasil também está consultando suas bases”, disse Bivar em entrevista à CNN Brasil. Agora, segundo ele, é preciso saber em cada região, em cada Estado, se há uma confluência e se não há grandes defecções. “Se não houver grandes defecções, a federação será feita”, afirmou.

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