Criança estava voltando para casa de Kombi com a mãe quando foi baleada na Fazendinha. Moradores dizem que não havia confronto e policial efetuou o disparo. PM nega acusação.
Por Cristina Boeckel e Elisa Soupin, G1 Rio
postado por Gilvan Silva:
Os policiais militares envolvidos na ação que matou a menina Ágatha Félix, de 8 anos, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, prestaram depoimento na tarde desta segunda (23) na Divisão de Homicídios da Capital. Ao todo, oito agentes foram ouvidos na condição de testemunhas.
Os agentes chegaram em dois grupos de três e um de dois. Pouco depois, outra viatura trouxe oito armas, entre fuzis e pistolas, que serão usados na ação policial, que passarão por perícia.
O delegado Daniel Rosa, da DH, afirmou que o teor dos depoimentos ainda não pode ser divulgado porque a investigação está sob sigilo. Ele garantiu, porém, que o fato das armas só terem sido entregues nesta segunda não prejudicará as investigações.
“Não foi desrespeitado nenhum protocolo. Essa menina ela entrou com vida no hospital, foi feito primeiro um registro de homicídio tentado, posteriormente, quando ela veio a óbito ele foi encaminhado para a DH. Então, há um protocolo administrativo que tem que ser seguido. A arrecadação dessas armas na data de hoje não traz nenhum prejuízo à investigação. Há protocolos que devem ser seguidos e são rotinas administrativas. Essas armas foram recolhidas e elas serão submetidas a testes de eficácia e de confronto balístico”, disse ele.
Morte da menina Ágatha: policiais chegam à delegacia para prestar depoimento

Fuzis usados por PMs que estavam em ação quando menina Ágatha foi baleada chegam à DP
Ágatha morreu na noite de sexta-feira (20). Ela estava dentro de uma kombi com a mãe, quando foi baleada nas costas. Moradores afirmaram que PMs atiraram contra uma moto que passava pelo local, e o tiro atingiu a criança. Ela chegou a ser levada para a UPA do Alemão e transferida para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.
O porta-voz da PM afirmou no sábado (21) que não há indicativo da participação de um policial militar na morte da criança. A Corregedoria abriu procedimento interno para apurar a conduta dos PMs.As armas dos PMs serão recolhidas pela DH nesta segunda para um confronto balístico com o projétil encontrado no corpo da menina, para saber se o tiro saiu da arma de um deles. O recolhimento das armas deve ocorrer mais de 60 horas após o crime.
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Ágatha Félix, morta por bala perdida no Alemão — Foto: Reprodução
A kombi onde a menina estava quando foi atingida já passou por perícia. A Polícia Civil vai realizar uma reconstituição do caso. A data ainda será marcada. A Corregedoria da Polícia Militar abriu um procedimento para apurar a atuação dos PMs.
Nesta manhã, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que as versões de familiares e da Polícia Militar do Rio para a morte da menina são a “palavra de um contra o outro“.
Durante um evento, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, disse que o estado está em um momento que é preciso ponderar as ações da PM nas comunidades. “O que todo o Rio de Janeiro não suporta mais é ver as balas perdidas matando os inocentes”.
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Perito usa uma cânula para simular de onde veio o tiro que matou a menina Ágatha — Foto: Cristina Boeckel/G1


