‘Obedeci às ordens e acabei sendo agredido’, diz homem abordado por guardas municipais

Com lesões no rosto, nas pernas e no tronco, o rapaz, que trabalha como vendedor e garçom e não tem passagem pela polícia, preferiu não ser identificado. Ele afirmou que, no momento da abordagem, estava em um mototáxi e ia encontrar amigos.

“Eu só falava o que eles me pediam. Por exemplo, coloca a mão, levanta a camisa! Tá, eu vou levantar, pra tranquilizar todo mundo, ficar todo mundo tranquilo. Fazia o que eles pediam e falava as coisas que eles estavam pedindo, só isso”, disse.

No vídeo, é possível ver o momento em que o mototáxi é abordado por um carro da Guarda Municipal (GM). Em seguida, o homem que está na garupa tira o capacete e desce da moto.

Rapaz agredido por Guardas Municipais nega ter ofendido os servidores
Boa Noite Paraná – Cascavel
Perguntado se, em nenhum momento ele ofendeu ou xingou os guardas ele respondeu: “Em nenhum momento”.

Nas imagens é possível ver que, com as mãos na cabeça, ele e os agentes conversam e, logo, começa a receber chutes e socos dos agentes. O homem não reage e continua apanhando até ser colocado no carro.

“Me senti assim… um bandido, na verdade, né? Porque no momento ali a gente se sente meio… Não sabe o que pensar na hora”, declarou.

Segundo a GM, ele tinha as mesmas características de um suspeito de ter roubado um carro na região e, de acordo com os agentes, os desacatou ao ser abordado. Ele foi levado para a delegacia por desacato e liberado em seguida. O jovem não era o autor do roubo.

O advogado do rapaz, Júlio Morbach, disse que vai processar a Prefeitura de Cascavel por danos morais.

“É visível o abalo psicológico, e é esse abalo que merece ser indenizado. E também, a indenização tem outro enfoque: de evitar que outros guardas, outros agentes, venham a praticar o mesmo fato”, explicou.

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar as agressões.

O homem ficou com vários hematomas pelo corpo — Foto: Arquivo Pessoal

O que diz a GM

O diretor da Guarda Municipal, coronel Avelino José Novakoski, afirmou que a abordagem foi feita corretamente pelos guardas, com base em uma denúncia que tinha sido feita, porém, o desfecho não ocorreu de acordo com as orientações que recebem e que, por isso, o caso será investigado.

Caso o abuso seja comprovado, os agentes podem ser advertidos e até exonerados.

Novakoski explicou ainda que, dependendo do que for apurado, o caso também pode ser investigado pela Polícia Civil.

Por RPC Cascavel

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