Após ataque na Catedral, Campinas soma 5 chacinas em 5 anos; psicóloga forense analisa

Por Marcello Carvalho, G1 Campinas e Região

Falta de ‘políticas públicas’

De acordo com a especialista, apesar de apresentarem características diferentes, as cinco chacinas “se encontram” quando o assunto são as causas para os assassinatos. Maria de Fátima afirmou que as faltas de políticas públicas de prevenção tanto para segurança pública, como para casos de violência doméstica e saúde mental, aumentam as chances de acontecerem tragédias como essas em Campinas.

“Tudo gira em torno da falta de prevenção. A série de assassinatos em 2014 foi desencadeada após a morte de um policial militar em um roubo de posto de combustível. A do Revéillon era uma situação mal resolvida entre o autor e a ex-mulher, agora, um problema de saúde mental, e por aí vai. Se houvesse mais prevenção, esses casos poderiam ser evitados”, disse.

Relembre os outros quatro casos

  • 12 mortes no Ouro Verde, janeiro de 2014

As mortes ocorreram no intervalo de três horas nos bairros Nova América, Recanto do Sol II, Vista Alegre e Vida Nova, na madrugada entre os dias 12 e 13 de janeiro de 2014. As vítimas tinham idades entre 17 e 30 anos e, segundo a Polícia Civil, sete delas tinham antecedentes criminais. À época, a Polícia Técnico-Científica recolheu 53 fragmentos de balas nos locais.

Os crimes ocorreram no Nova América, Recanto do Sol II, Vista Alegre e Vida Nova, no intervalo de três horas, e um caso foi esclarecido. Cinco ex-policiais militares da cidade foram condenados em 1ª instância pela participação na morte do adolescente Joab Gama das Neves – considerado o primeiro caso da série.

  • 12 mortes no Réveillon, janeiro de 2017

A chacina durante uma festa de réveillon terminou com 12 pessoas assassinadas após Sidnei Ramis de Araujo, de 46 anos, invadir uma casa, efetuar os disparos e se matar. O atirador matou o filho, a ex-mulher e outros familiares que comemoram juntos a virada do ano.

Onze pessoas morreram no local e quatro foram atingidas pelos disparos e socorridas. Uma delas morreu no hospital.

  • Quatro mortes, outubro de 2017

Quatro jovens com idades entre 16 e 22 anos foram mortos por disparos de armas de fogo na noite de 29 de outubro de 2017 no Jardim Satélite Íris. Eles estavam em um baile funk e foram executados a 600m do local da festa. Ninguém foi preso e as armas dos crimes não foram encontradas.

A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de acerto de contas para a motivação das mortes. O caso está sendo investigado pelo 11º Distrito Policial.

  • Cinco mortes, outubro de 2017

Antonio Ricardo Gallo, de 28 anos, matou cinco pessoas e feriu uma na manhã de 30 de outubro de 2017. Quatro das mortes ocorreram no distrito de Sousas, pouco antes das 6h30, no endereço da família do próprio atirador. O pai, duas irmãs e um vizinho do suspeito estavam entre os mortos. Gallo chegou a ser perseguido pela Polícia Militar e, então, se matou com um tiro na cabeça.

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